NICINHA
Fazenda
Córrego do Taboão
Localidade
Conceição do Mato Dentro
Irenice Bicalho aprendeu desde cedo que a fé move montanhas – e também a vida de quem produz queijo no interior de Minas. Ela também sabe que a voz do povo é a voz de Deus. Por isso nasceu Irenice, mas logo virou Nicinha pela boca da família e amigos. Criada em um ambiente de muita humildade, mas também de dignidade e trabalho árduo, ela carrega consigo a certeza de que tudo é guiado por Deus. “Nossos pais criavam a gente em maior grau de espiritualidade”, lembra, destacando que naquele tempo gratidão era algo sagrado. “Ah, tinha muita fé em Deus e muito agradecimento, mesmo sendo tudo muito árduo”, conta.
Desde cedo o queijo também era algo sagrado e a produção sempre esteve em sua história. Tanto a família dela quanto a do marido, Giovanni, carrega gerações dedicadas a esse ofício. “Ele já é a quarta geração de produtores”, diz Nicinha, que também não fica atrás. “A minha família também. Mas nós fazíamos de tudo na roça”, explica. Ela lembra porque eram muitos irmãos e precisam se sustentar com o que tínham. O pouco que se comprava era essencial: “sal, macarrão, querosene para as lamparinas e pilhas para o rádio”, enumera. A vida simples era regida pela fé e pela certeza de que tudo daria certo, mesmo diante das dificuldades.
Hoje, quando se vê à frente de sua produção, Nicinha sente gratidão. “Quando você sai de uma estrutura que a gente acha que é pobre, mas é rica, porque ali estão as raízes de tudo, passa por dificuldades na infância e chega onde chegamos hoje, só tem a agradecer”.
O legado que recebeu dos pais segue forte em seu dia a dia. “Faço com o outro o que gostaria que fizessem comigo”, ensina. No manejo do queijo, vê algo quase sagrado. “O queijo, para mim, é um ser vivo. Dedico a ele praticamente a maior parte do meu tempo, com muito amor e carinho. Não vou pelo valor do queijo, mas pelo amor que tenho ao que faço.”
Nicinha acorda todos os dias às três da manhã para cuidar da produção com alegria e disposição. “Pode estar chovendo, ou não, a energia é a mesma. O contato com os animais, com aquilo que gosto de fazer, é muito satisfatório”.
O Serro, com suas montanhas e tradições, é, para ela, um elo com o passado, uma ponte para o futuro. “Raízes vivas, para mim, significam história, vida, legado”, E se volta aos céus pedindo ajuda. “Que a nossa história, nossa cultura e nossa tradição nunca morram”. Se depender de sua fé essa raiz continuará forte por muitas gerações.
Prêmios
Medalha de Prata Prêmio Queijo Brasil 2024
Medalha de Ouro Prêmio Queijo Brasil 2023